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ABEST Entrevista: Rodrigo Doxandabarat, da DOTZ





Por Érika Masckiewic
Fotos: Divulgação

No segundo semestre desse ano, a marca DOTZ ganhou destaque no mercado internacional após participação em feiras de mercados estratégicos, como Pitti Uomo, na Itália, além da Who’s Next e Première Classe Tuileries, na França. A seguir, confira a entrevista com Rodrigo Doxandabarat, proprietário da marca, que contou sobre esse novo momento da marca.

Como surgiu a ideia da DOTZ? 

O projeto é chamado LINKING DOTZ, que é um jogo de palavras que tenta promover e promulgar a busca por pontos de encontro entre diferentes paradigmas. Nosso objetivo é criar uma interação viva em que sustentabilidade, arte, moda e inovação estejam promovendo um ecossistema de negócios alternativos.

A marca surgiu com base em experiências pessoais dos fundadores: eu, Alvaro Oviedo e Anderson Presoto, cada um com diferentes origens que contribuem para a diversidade e riqueza do projeto.

Eu trabalhei no campo da cooperação internacional por anos na Índia, Iraque e Argentina, bem como em marcas de moda internacionais. Por outro lado, Anderson Presoto possui um conhecimento financeiro e jurídico de grande relevância. Já o Alvaro trabalhou por vários anos para empresas internacionais na Europa na área de marketing e comercial. 

A marca trabalha exclusivamente no esquema de crowdsourcing?

Uma das principais fontes de inovação do nosso projeto é o crowd-sourcing: vários artistas criam coleções cápsulas, valorizando a inovação continua. Paralelamente, trabalhamos também com restos de produção, descartes têxteis próprios e de outras empresas, promovendo a reutilização de matérias primas e a economia circular no processo criativo. 

Conte as ações sustentáveis da marca.

Nossos produtos são produzidos principalmente com componentes sustentáveis. Trabalhamos, por exemplo, com algodão agroecológico produzido em colaboração com pequenos agricultores familiares da Paraíba. Toda a cadeia produtiva é coordenada e supervisionada por nós em parceria com instituições públicas e privadas: o descaroçamento do algodão é feito em uma usina comunitária em São José de Piranha, a fiação é desenvolvida em Campina Grande e a tecelagem é realizada em Itatiba. 

Nossas caixas também são feitas com lixo doméstico reciclado, um projeto realizado em colaboração com um grupo de pesquisadores da Universidade do Rio Grande do Sul usando uma planta de reaproveitamento inteligente eco sustentável. 

Trabalhamos também com descarte de produção e industriais.

Como a marca pretende melhorar e inovar a sua proposta sustentável?

Implantar a sustentabilidade é um processo contínuo. Nos próximos anos, focaremos em melhorias das nossas solas, que atualmente são recicláveis e compostos por uma porcentagem de matéria-prima reutilizada). Também estamos procurando acessórios produzidos manualmente, feitos por pequenas comunidades com uma forte identidade cultural.

Um fator fundamental é transformar a sustentabilidade em um negócio economicamente viável, aumentando os volumes de produção e os processos colaborativos. É essencial que o projeto aumente seu volume para criar um impacto real e gerar benefícios tangíveis para cada um de nossos colaboradores.

No segundo semestre desse ano, a marca participou das feiras de moda internacionais Who's Next, Premiere Classe Tuileries e Pitti Uomo. Quais são os resultados positivos?

Estamos presentes no mercado brasileiro e também na Itália, França e Turquia. Participar de feiras internacionais é uma oportunidade de se posicionar, de apresentar o ecossistema de negócios alternativo, que é a DOTZ. Fomos convidados também a participar do evento Green Carpet Talent Competition, realizado em setembro em Milão.

A apresentação do projeto a nível internacional foi muito positiva. Não apenas comercialmente, mas também devido ao grande interesse de designers e empresas do setor em colaborar com o nosso projeto.