22-10-2025

TALKING TO: GLORINHA PARANAGUÁ

Fashion Label Brasil

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Créditos: Yasmine Paranaguá e as bolsas da marca fundada por sua avó, Glorinha Paranaguá. Foto: Divulgação

A neta de Glorinha Paranaguá, Yasmine Paranaguá, eleva o legado da marca a novos patamares

O universo da marca Glorinha Paranaguá mistura belezas concretas e amores familiares. Observar os produtos refinadamente curados e saber das origens eleva a experiência de moda. Os históricos bambus, material das bolsas icônicas, são herança de um gosto de Glorinha, sua fundadora. Tudo começa numa boutique em Ipanema, nos anos 90. Um ponto de encontro charmoso e autêntico, artesanal e ao mesmo tempo muito cosmopolita. A partir desta boutique a empresa cresceu e hoje é um exemplo de projeção internacional da moda brasileira. Assim nascem os luxos, peças criativas de uma originalidade particular que ganham o mundo por sua excelência. Glorinha já tinha corrido o mundo (o marido, Paulo, era diplomata) e colecionado vivências no Marrocos, Áustria, Kuwait, França, Argentina e outros lugares. E nessas andanças levou – e elevou – o valor da matéria prima brasileira.

Três décadas depois, temos outra fotografia da marca – com o mesmo estilo, mas a família cresceu. A neta de Glorinha, Yasmine Paranaguá, primeira herdeira mulher numa família de filhos homens, se forma em Design e tem o gosto fashion cosmopolita da avó. Naturalmente, assume a direção criativa da marca. A mãe de Yasmine, Naná, nora de Glorinha, já tinha se juntado à equipe – um encontro entre sogra e nora apaixonadas pelo saper fare da moda. Este trio de mulheres é a base do DNA da marca até hoje. Entre compromissos nacionais e internacionais Yasmine Paranaguá conversou com Fashion Label Brasil.

A Glorinha Paranaguá já atravessou três gerações. Como você enxerga essa herança e a responsabilidade de dar continuidade ao legado da sua avó?

 Eu cresci no meio da empresa, sempre acompanhei muito a minha avó desde cedo. A gente morava perto, fazia tudo juntas. Minha avó só teve filho homem, então ser a primeira neta mulher e sempre ter gostado desse mundo, desse universo, nos aproximou.

Outra coisa bacana é a relação da minha mãe e da minha avó — nora e sogra, né? Elas sempre tiveram uma afinidade enorme porque se encontraram e tinham um gosto muito parecido. Acho que a minha mãe estar dentro da empresa e participar foi um presente para a minha avó, e eu sinto que para mim também. Minha mãe, além de mãe, é meu super braço direito, me ajuda. Temos uma sinergia enorme trabalhando juntas. Vejo como um privilégio dar continuidade à marca que é a Glorinha Paranaguá.

 

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Créditos: “Eu cresci dentro da empresa, acompanhei minha avó desde cedo”, Yasmine Paranaguá. Foto: Divulgação

O que mudou no DNA da marca desde a sua fundação?

O DNA da marca é muito forte e marcante, e a gente faz questão de mantê-lo. Acho que é isso que faz a marca ser o que ela é, que permite que o produto seja identificado.

O que mudou é que agora existe uma cabeça nova, jovem, que morou fora e que quer trazer novidade, quer adicionar, quer somar. Além disso, eu penso muito na funcionalidade; sou mãe, estou sempre andando com criança. Então, como ter uma bolsa que eu possa usar arrumada, mas que também eu possa carregar sem que me atrapalhe? É sobre como adicionar elementos e uso para a bolsa e para a funcionalidade dela. Acho que essa é uma mudança legal que veio com a minha entrada.

Eu também trago esse universo dos bordados para a marca, pois eu gosto de bordar, fiz curso de formação e continuo estudando. A gente desenvolve as ideias juntas e, muitas vezes, eu faço a primeira aplicação. Então, sinto que esse mundo mais bordado veio com a minha entrada na marca.

Como você traduz a tradição para o público contemporâneo?

Eu vejo a tradição no sentido de passar de mãe para filha e de permitir que diferentes gerações possam usar o mesmo produto em looks completamente distintos.

Acho que isso é, no fundo, reutilizar, né? E, para um público contemporâneo que busca aproveitar ao máximo o que tem — e que se preocupa em gerar menos lixo e consumir de forma mais consciente —, essa durabilidade e versatilidade são muito bem-vindas.

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Créditos: “A bolsa de bambu é um verdadeiro ícone para nós, é o nosso carro-chefe”, Yasmine Paranaguá. Foto: Divulgação

Você morou em Singapura e em Xangai. Como essa vivência na Ásia influenciou seu olhar criativo e estético?

Eu morei em Singapura e em Xangai, e amei morar na Ásia. Acho que essa experiência abriu uma porta para entender o Oriente. Pude trazer técnicas e observar essa parte cultural. Eles dão muito valor ao que foi feito, ao que já existe, e a hierarquia é muito respeitada por lá. Acho isso muito bonito, e vejo que essa vivência se enraiza no meu trabalho.

Além das influências criativas e estéticas, a Ásia me trouxe muitos insights comportamentais. Pude entender a dinâmica de cada país, o comportamento e a forma como eles estão se readaptando. Tudo isso foi uma bagagem enorme para mim.

Há elementos da cultura asiática que você incorporou ao processo de design ou identidade da marca?

Acho que tudo isso se conecta com o comportamento: há um lado que o público asiático aprecia muito: o trabalho manual, o handmade, e o tempo que você dedicou para fazer. Lembro que no Lesage, por exemplo, havia muitos alunos japoneses, porque eles dão um valor enorme a essa obra de arte feita manualmente, especialmente nos bordados.

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Créditos: Fotos: Glorinha Paranaguá @glorinhaparanagua

De que maneira a experiência internacional impactou também a forma de gerir a marca, além da criação?

Acho que essa experiência de morar fora traz muita bagagem e, no meu caso, me deu uma independência importante para entender o mercado profissional, o começo da vida, família, tudo. Traz experiência em todos os sentidos: de estar fora do seu país, do seu conforto, e de não ter a família por perto.

Então, acho que essa vivência não foi só crucial para a criação da marca, mas também para mim como ser humano e indivíduo. E, sim, eu acredito que isso se reflete na empresa também.

Em termos de presença física, hoje a marca está em quantos pontos de venda?

Nós temos dois pontos de venda próprios: lojas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Vendemos para o Brasil inteiro e também para o mercado internacional, e pretendemos expandir cada vez mais essa atuação. Em termos de clientes multimarcas, temos uma média de 30, 35 clientes distribuídos pelo Brasil e no cenário internacional.

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Créditos: Fotos: Glorinha Paranaguá @glorinhaparanagua

Quem costuma se identificar mais com a marca no Brasil? E, quando falamos do público internacional, você percebe perfis distintos?

Acredito que os perfis de clientes que se identificam com a marca, tanto no Brasil quanto no exterior, são muito parecidos. São pessoas que apreciam o handmade, que valorizam uma marca com um cuidado mais autoral e que tenha um diferencial. É um público que não sente a necessidade de expor uma grife, mas que exige um produto com acabamento bem-feito. Além disso, estamos cada vez mais buscando trazer um mix de produtos que permita à nossa cliente usar a bolsa em diferentes ocasiões.

Quais materiais você utiliza com mais frequência e como define o processo de design? São muitas pessoas envolvidas? Você segue alguma rotina de pesquisa?

Os materiais mais frequentes são o bambu, que é a nossa marca registrada. Eu e minha mãe gostamos muito de fazer uma mistura de materiais, achamos isso muito rico. Sempre temos a combinação de bambu com couro, e a palha entra em momentos diferentes; no inverno, usamos veludo, por exemplo, brincando com esses tecidos e fazendo misturas inusitadas. Na parte da criação, basicamente somos eu e minha mãe. A produção é terceirizada, e a equipe está dividida entre São Paulo e Rio. A rotina de pesquisa é feita de forma conjunta e separada, buscando referências na internet, em desfiles, viagens e exposições.

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Créditos: Fotos: Glorinha Paranaguá @glorinhaparanagua

A bolsa de bambu é um ícone da Glorinha Paranaguá. Como você mantém esse clássico vivo sem perder a inovação?

A bolsa de bambu é um verdadeiro ícone para nós, é o nosso carro-chefe. É um clássico, totalmente atemporal. A partir dela, desenvolvemos toda a nossa linha de bambu. Além do bambu, que continua sendo um best-seller, temos outras peças ícones: as bolsas de couro estão em alta, as nossas pochetes com botão de bambu e o trabalho com crochê, que a gente adora, feito manualmente.

Quais eventos internacionais foram marcantes para a marca? Já participaram de feiras internacionais? Quais?

Minha mãe e minha avó já participaram de algumas feiras. Em outubro de 2019, nós participamos da feira Coterie em Nova York. Tivemos que dar uma pausa por conta da pandemia, mas pretendemos retomar no próximo ano, com planos de explorar e participar de mais feiras na Europa.

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Créditos: Fotos: Glorinha Paranaguá @glorinhaparanagua

Quais os próximos passos em relação à expansão nacional e internacional?

Acho que expandir é sempre o caminho, né? O foco é em nos tornarmos mais conhecidos e aumentar o nosso alcance de vendas, tanto a nível nacional quanto no mercado internacional.

O que podemos esperar da marca nos próximos anos?

Gostamos de ter um flerte com o novo, mas também de fazer resgates. Acredito muito em collabs, então estamos sempre pensando e buscando qual será a próxima parceria que faremos. E, claro, o plano é continuar expandindo, crescendo, vendendo, criando e trazendo bolsas lindas para nossas clientes.

Por Juliana Lopes, editora da Fashion Label Brasil. @j.u.lopes

Fotos: Divulgação

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